Manifesto Sensus

pela Egrégora Vibracional

Sentimos
Apreendemos
Percebemos
Ressoamos
Co(s)-movemos

Aqui e agora, nada nos escapa, ainda que a Consciência tenha níveis. Tudo é passível de sentido, de sensação, do sensório, mas é preciso dar precisão ao sensório. Tudo, até então, é da (des)ordem do sensível; no entanto, o sensível pode se apresentar de modo muito sutil, fazendo com que essa sensibilidade seja apreendida em um nível também muito sutil. A consciência desse processo, em um nível denso, pode ser improvável.

Nossa arte conclama a potência e a INEVITABILIDADE do sensível. Ela convida, mas também explicita para a co(s)moção inequívoca: a visão é o mínimo, queremos paladar, cheiro, tesão, dor, intuição, medo, comichão, zonzeira, epifanias imanentes.

Ainda que seja legítima uma arte digital, problematizamos a excessiva euforia em torno da arte virtual. O sistema tem convidado de modo insistente para o “lá”, para o que “não está aqui”, essas tristes ilusões. Metaversos, multiversos, modos de controlar o imaginário e replicar o mesmo modus operandi infinitamente; a mais terrível das ações: a proliferação do clichê! As variadas faces do “meta” querem impor uma mesma estética até na capacidade de imaginar outros mundos. O meio artístico já está contaminado com isso: os NFTs são mais um capítulo na famigerada história da especulação financeira no sistema de arte. Todos esses modos de fazer arte e outras manifestações da criatividade tem como tendência uma alienação crescente do corpo e seus sentidos, um niilismo associado ao sentir: mais uma etapa do processo imperial de destituição do sensório, seja reptiliano, faraônico, platônico, judaico-cristão, cartesiano, kantiano, etc.

O que propomos aqui difere de qualquer postura neoludita: assimilamos a crítica ao modo em que o processo civilizatório se dá, no entanto, é relevante precisar o que é chamado de “tecnologia”, apreendendo ser ingênuo almejar eliminá-la. Tecnologia, para nós, é o processo de tentativas de resolução de problemas. Assim, o micélio fúngico é uma tecnologia informacional da floresta, nosso corpo é uma tecnologia das nossas células etc. Em desdobramento, também consideramos pleonasmo o termo “ciborgue”, posta/ dada a imanência de natureza e cultura. Logo, a inexistência do artifício, o ciborgue, seria uma ubiquidade, antes mesmo do humano, o que torna o termo irrelevante.

No entanto, somos críticos ao transumanismo e às propostas extropianas, Pedras Negras do Controle. O desejo de se eternizar na “nuvem”, prescindindo do corpo, negligencia a intempestividade do corpo aqui e agora, de modo que toda busca por vida eterna deriva de uma crença ilusória de que a pele é o limite do corpo, bem como negligencia nossa coextensão cósmica e nossa infinita capacidade de modulação.

Nossas inspirações são outras:
Lygia Clark, por trazer um sensório tropical ao mundo,
a Land Art, por aterrar a arte,
Spinoza, por trazer Deus de volta ao sensório,
Alan Moore, por mostrar num pop erudito que arte é o primeiro nome da magia,
a Patafísica, por enlaçar singularidades, denunciando assim a ditatorial ilusão do Mesmo,
David Bowie, por explicitar o devir-camaleão na arte, muito além da música, culminando na própria morte enquanto obra de arte,
Nisargadatta, por mostrar que a única coisa que realmente interessa é a radicalidade do Um que se move,
Hakim Bey, por anarquizar ao mesmo tempo o sufismo, a história, a política; sendo ele próprio uma obra de arte,
o reino Fungi, única realeza que saudamos, por expressar a falácia do individualismo, em modos tão belos quanto improváveis
e tantos outros.

Nossa arte pode se manifestar de vários modos, invisíveis até, mas nunca insensíveis, intangíveis – desacreditamos nessas bobagens.
Nossa arte reivindica a pluralidade de expressões, evitando se ater a um mesmo nicho, seja ele as artes plásticas, a fofoca, a música, o audiovisual, a culinária, a literatura, a suruba, a imperturbabilidade, o teatro etc.
Nossa arte é simpática: está apta a estar junto, instalando-se nos desvios improváveis, nas ressonâncias quase imperceptíveis.
Nossa arte é instável, instalando-se no campo relacional em que a arte seja indistinguível da magia, da ciência, da filosofia e da inutilidade
ou seja, nossa arte está atenta à possibilidade de deixar de ser arte e isso é algo a ser considerado, desejado.

Nossa ambição é a co(s)moção, o cultivo da pulsação cósmica, em vários níveis, do mais sutil e quase imperceptível ao mais denso, explícito e até óbvio.

Pois a vida é dinamismo cósmico: se explicitamos a vida enquanto obra de arte, é pelo fato da vidarte pulsar no todo, todo este que escapa de si mesmo, tornando-se algo para além, sendo impossível uma apreensão definitiva de si.

Nossa egrégora é, então, vibracional: ela considera os ditos sujeitos desimportantes, operando por ressonância. Ou seja, nós surfamos, antes de tudo em nós mesmos, pois somos extensões cósmicas, indivisíveis e indissociáveis, contínuos e imanentes. Nossa egrégora se amplia por contágio. Nós evitamos de nos re-conhecer, nós nos intuímos, nos olhares, no jeito, na cadência das nossas pulsações (micro, mezzo, macro) cósmicas. Nós prescindimos de escolas, de técnicas, de líderes e até mesmo deste Manifesto, se assim emergirmos.

Infinitemo-nos!

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